quinta-feira, 24 de maio de 2012

Não sabes

VAZIO

Não sabes a falta que fazes,
quando deixas-me a própria sorte,
em um abraço de despedida,
um até breve, lançado ao ar.

Sou, então, o detentor da tristeza
que se enraiza e se muda
a cada novo passo meu,
segue-me.

Sou toda coordenada de saudade,
um ponto cinza
em meio a cores no painel de qualquer gps,
sou um vazio de não saber de ti,
lágrimas que não caem por não saberem rolar.

E se soubesses a falta que me fazes
em dias assim, como todos são,
nos quais raia o sol e se põe
dando espaço à Lua,
não saías de perto de mim,
prendias-me à volta tua.

Quão bela seria a vida?

22 de maio de 2012

sábado, 19 de maio de 2012

Causa Mortis

Sepulcro_Vazio

Então eu sonhava ser cientista jurídico,
daqueles que analisam e publicam suas análises.
Mas aí conheci as normas da abnt,
tudo muito certo,
muito chato.

Depois, resolvi que seria advogado,
afinal, a abnt não atinge petições
e pareceres.
Mas, então, multiplicaram-se as leis,
os decretos,
os artigos,
desarticulei-me todo,
perdi-me de mim.

Então...

Então, por comodismo,
resolvi-me ser poeta,
afinal, já sou pobre a vida toda,
nada afetaria-me a valorização causa mortis,
viveria, como vivo.

Morto não deixa o sucesso subir à cabeça.

03 de maio de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

Mãe

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Mãe, palavra tão cheia de significados.

Para o Direito, de onde bebo diariamente de fontes laborais, por muito tempo, mãe era aquela que havia dado à luz um novo ser humano.

Ainda na esfera jurídica, a maternidade, ao contrário da paternidade, era objetiva. Não haviam espaços para o subjetivismo. Mãe era, tão somente, aquela que deu à luz. Simples assim.

Mas o tempo passa, e com ele algumas filosofias tornam-se demodês.

Sim, o conceito de mãe ser aquela que dá à luz o rebento é deveras simplificado. Mas, fazer e ter um filho é simples. Criá-lo e amá-lo é que é complicado.

E, então, o conceito expandiu-se. Mãe era a provedora de carinho, cuidados, de amor. Amor, palavra que define em poucas letras o verdadeiro significado de ser mãe. Ser mãe é amar.

Amor de mãe. Tão intenso. Tão vasto. Tão incompreendido. Mãe ama incondicionalmente, não importa o caráter do filho. Mãe é amor.

Complexo de Édipo à parte, a mãe é a primeira mulher a conquistar o amor de um homem (filho). Pelo cuidado, pelo carinho, pela dedicação que nos dispensa, a ela dedicamos os primeiros passos de nossa devoção.

Que me perdoem as machistas seitas cristãs, mas homem algum poderia dar a vida à humanidade. O seu Cristo, em verdade, é uma Maria. Só pode.

Mãe, este ser divino, acima do bem e do mal, inexplicavelmente perfeita, diante de tanta imperfeição no  mundo.

Ela que nos acolhe na infância, que nos ouve na adolescência, e que nos recebe, não importa a idade, já adultos.

Mãe é a muralha protetora. A estátua de braços abertos à porta de nossa casa primeira, sempre disposta a nos receber, aconselhar, carinhar.

Não à toa temos um dia exclusivo dedicados à elas. No entanto, mais que homenagens pelo seu dia, este é (leia-se, deve ser) um dia de reflexão para nós, filhos, acerca do retorno que damos a estes seres mágicos, que doaram, além dos 50% da genética, para nos fazer quem somos, quase 100% do seu tempo e dedicação, moldando-nos à melhor maneira para sobrevivermos nesse mundo cão.

Que filhos somos para nossas mães? Somos os filhos que queremos para nós?

Pensemos, meus caros, pois, um dia, pode ser tarde demais para refletirmos sobre isso, e já impossível qualquer mudança de comportamento.

Que nesse dia, nossas mães sejam as mais paparicadas de todas, que seus desejos sejam realizados, ou, no mínimo, que a realização seja iniciada neste dia, para uma alegria vindoura.

Que os cientes de falhas e desacertos na retribuição do carinho e dedicação às suas mães repensem seus dias e retornem todo o amor a eles dedicados.

Que não sejam feitas homenagens apenas um dia por ano, mas em todo e cada um dos dias de cada novo ano.

E que filhos sejam orgulho para suas mães, pois, apesar de ser homem, solteiro, sem filhos (um desastre à essa idade), não duvido ser um filho dedicado o maior dos presentes para toda e cada mãe no mundo.

Feliz dia das mães a todas as mamães, e em especial para a minha, Terezinha Trindade Batista Celani que, apesar do nome no diminutivo, faz-se gigante quanto aos seus poderes maternais.

Obrigado, mãe!

13 de maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Caetano

caetano2

É a antítese sincrética
da contrariedade da razão universal, contrapondo,
sempre,
dois lados
de uma mesma moeda,
de modo que ambos se choquem
numa ambigüidade frenética,
capaz de criar,
assim,
uma certeza dúbia do que outrora foi,
e possivelmente ainda é,
podendo ser no futuro,
aquilo que nunca ainda havia sido.

Ou não.

23 de abril de 2012

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Genérico

InspirARTion (6)

Sou genérico,
do tipo que tudo opina,
nada sabe.
Falo o que vejo
e leio o que não sei.
Digo.

Sou genérico,
esse mal de viver
tão século XXI.

23 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Carnaval

Todo carnaval tem seu fim

Que sou um metódico improvisador,
assim, sem roteiros,
ditatorialmente orientado pela marcha,
que se move para além da multidão,
e é um lá e cá
sem fim,
sem lá, nem cá,
numa frequência desencadeada,
que é ordem severa
de um carnaval ordeiro,
como são todos os que não existem.

Tango modesto de fevereiro,
ou um carnaval outonesco,
sem eira nem beira,
sou eu, a ordem sem direção,
paixão violenta de oitenta carnavais,
amor sem mais.

E não sei gostar de mim
sem ter alguém que me aprove.

07 de abril de 2012

domingo, 15 de abril de 2012

Balada

balada

Mais uma dose,
e outra
e várias tantas.
O som envolvente,
danças sensuais,
olhares que se cruzam,
sorrisos,
a alegria estampada em notas de várias cores
e copos
e taças
e bebidas flamejantes.

A noite uiva seus cantos sem dó,
em mim, o sol, laxante do que foi,
a revelar as notas do que passou.
Cabeça girando,
olhos que se reconhecem no amanhecer,
a lembrança falha do que já se fez,
e a dúvida do por vir.

Volto pra casa
ou em casa estou?

Sorrisos desconcertados,
o não saber do beijo de despedida,
e sequer saber o nome.

E quantos não são os corações partidos
que bailam tristes ao som do dj?

07 de abril de 2012